Lucas Prim
Lucas Prim Editor do Biz4Devs. Desenvolvedor de software de coração, gestor de profissão.

Re: Qual foi o seu momento mais difícil como CEO de uma startup SAAS?

Re: Qual foi o seu momento mais difícil como CEO de uma startup SAAS?

Lembro como se fosse hoje do dia em que li sobre o caso das meninas lobas. Depois, quando quase meia dúzia de amigos próximos cursavam psicologia, fiquei sabendo que o ser humano é um especialista em imitar o outro e se torna a versão moderna do homo sapiens precisamente por causa disso. Me veio como de surpresa, no meio de uma mentoria, a conclusão de que era isso que estava por detrás do meu momento mais difícil como CEO.

Você lembra do seu último pet project? Aquele projeto solitário em que você é o CEO, o designer, o desenvolvedor e muitas vezes até o cliente? Eu lembro do meu primeiro. Ao menos o primeiro que teve um relativo sucesso, o Professor Boiada. Nesse projeto eu era o cliente, o desenvolvedor, o designer, marqueteiro, etc. Todas as decisões eram tomadas num piscar de olhos. Para ir do planejamento para a execução era só passar um cafezinho. Sozinho você vai rápido, voa. Mas como diz um certo provérbio africano, “Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá com mais gente”. Eventualmente eu quis ir mais longe.

No meu primeiro negócio realmente relevante, o Kimitachi, eu trabalhei de balconista, carroboy, desenvolvedor, operador de Twitter, enfim, tive vários papéis. Um dos meus sócios virou o sushiman e outro o gestor administrativo financeiro. Cada novo funcionário aprendia quase por osmose o que precisava ser feito. As tarefas eram operacionais e era só imitar o chefe. Era só fazer o que meus colegas psicólogos classificavam como o que o ser humano sabe fazer de melhor.

Cento e quarenta e seis pessoas. A cada 15 dias entravam mais 5-10. Entre eu e as novas pessoas havia quatro gestores de distância. Essa foi minha experiência mais recente, e foi aí que eu consegui atualizar minha resposta para qual foi o momento mais difícil como CEO. O momento mais difícil é aquele em que não dá mais para liderar a empresa toda por exemplo porque a distância entre você e as pessoas se torna grande. Não sei exatamente qual foi o número de funcionários, mas acho que foi no entorno de 30 quando eu percebi que não dava mais.

O majestic monolith facilita o desenvolvimento porque toda a API está contida dentro do próprio projeto sem nenhuma dependência de fatores externos instáveis (oi networking, estou falando de você!). Mudar para microservices pode te dar mais paralelismo de desenvolvimento e de throughput mas vai precisar de muito mais comunicação e comprometimento no entorno dos protocolos e APIs. É a mesma coisa com a empresa. Para ganhar paralelismo é preciso dobrar a aposta na comunicação.

A comunicação é trivial quando só existe você no projeto, relativamente tranquila quando você consegue dar o exemplo e se torna uma rocket science quando a empresa começa a escalar. Cada nova pessoa significa mais um nó no grafo de comunicação, com um novo vértice para cada membro da equipe atual.

Meu momento mais difícil como CEO foi quando eu tive que aprender a usar o Keynote no lugar do Vim.